O contato médico via WhatsApp

Uma pesquisa, da consultoria britânica Cello Health Insight, entrevistou 1.040 médicos em oito países, entre eles o Brasil, e apontou que 87% dos médicos brasileiros utilizam o WhatsApp para se comunicar com seus pacientes. O índice é muito superior à média mundial – 30% dos médicos no mundo dizem utilizar a ferramenta profissionalmente.

Segundo a “The Digital Health Debate: a report on how doctors engage with digital technology in the workplace” (algo como “O debate da saúde digital: como médicos utilizam tecnologias digitais no trabalho”), nove em cada dez médicos utilizavam o WhatsApp para responder dúvidas de pacientes em novembro de 2015, data da publicação do estudo. 

“França, Estados Unidos e Reino Unido estão muito atrás de outros países no uso do WhatsApp. Médicos nos países do sul da Europa, China e Brasil estão usando essa plataforma para comunicação com colegas, pacientes e representantes da indústria farmacêutica”, destaca a pesquisa. 

O assunto divide opiniões de especialistas e órgãos ligados à medicina que alertam sobre problemas e riscos que essa interação possa causar. Embora seja uma forma de facilitar o contato profissional, é preciso ter atenção para que não haja confusão na relação médico-paciente. 

O que diz a lei, no Brasil? 

Em resumo, médicos só podem utilizar o WhatsApp para se comunicar com seus pacientes em casos de orientações básicas, pós-consulta. 

Consultar, diagnosticar ou prescrever por qualquer meio de comunicação de massa ou a distância é proibido pelo CFM

O Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbe, pela resolução 1974/2011, o médico de “consultar, diagnosticar ou prescrever por qualquer meio de comunicação de massa ou a distância”, por entender que a consulta física é insubstituível. 

No entanto, o CFM editou um parecer em 2017 em que permite que o medico oriente, por telefone, pacientes que já conheça e prestou atendimento presencial, para tirar dúvidas simples, como sobre a dosagem ou prescrição de um medicamento. 

Teleconsultas, por exemplo, são proibidas pela Resolução 1643/2022, seja por telefone ou internet. Exceto se houver um médico em ambas as pontas do canal de comunicação. O profissional atender diretamente o paciente a distância é ilegal. 

Em 2015 o Conselho Regional de Medicina do Pará emitiu um parecer onde entende que consulta por mídias sociais não constituem ato médico completo e que, por isso, um profissional não poderia cobrar ou ser remunerado pelas orientações que fizer. Se for realizada presencialmente a anamnese e o exame físico, o médico pode acordar com o paciente o envio de resultados de exames ou novas informações por meio eletrônico. 

Atualmente, este entendimento passou por algumas flexibilizações por tempo indeterminado devido ao COVID-19, conforme ofício Nº 1756/2020 do CFM, como explicamos neste texto.

Confira abaixo algumas dicas sobre o assunto:

Avalie a necessidade

Antes de sair por ai passando o seu número de WhatsApp para seus pacientes, avalie os prós e os contras dessa decisão. Analise quais são as necessidades de comunicação que eles demandam, como por exemplo, quais as principais dúvidas que eles costumam ter e se elas realmente poderiam ser respondidas pelo WhatsApp. Talvez você possa responder as perguntas mais frequentes dos seus pacientes direto no seu site, em uma área específica para isso, como um “FAQ”: uma seção de perguntas mais frequentes. 

Veja também se você tem disponibilidade de tempo para ler e responder as mensagens, pois questões médicas não podem ser respondidas por um assessor ou secretário. 

Tenha dois números: um pessoal e outro profissional 

Segundo estudo realizado em 2018 pela Universidade Estadual do Pará, a maioria dos médicos que usa o WhatsApp para se comunicar com seus pacientes faz isso de seu celular pessoal, o que torna mais difícil para estabelecer um limite para a troca de mensagens.

Por isso, o mais indicado é que esse contato seja realizado de um número diferente do que você utiliza fora do consultório, apenas em horário de trabalho e que isso seja comunicado aos seus pacientes. Caso a demanda seja muito alta, é possível contar com o auxílio da sua secretária para monitorar as mensagens e até responder dúvidas mais simples, sobre agendamentos, por exemplo.

Só oriente após a primeira consulta 

Nada substitui a consulta presencial e um médico não pode ser remunerado por orientações ou prescrições que fizer pelo WhatsApp, por isso é muito importante deixar claro desde o primeiro contato que o CFM proíbe orientações pela internet ou telefone para pessoas que ainda não sejam seus pacientes.  É preciso reforçar que uma foto, por exemplo, não é suficiente para garantir um diagnóstico tão preciso quanto a anamnese presencial. 

Novamente, este entendimento passou por algumas flexibilizações por tempo indeterminado devido ao COVID-19, conforme ofício Nº 1756/2020 do CFM, como explicamos neste texto. Mesmo assim o Whatsapp não é a ferramenta mais adequada para teleatendimentos e pode gerar problemas de ordem ética e até legal.

Deixe as regras claras

No primeiro atendimento você deve deixar claro se utiliza o WhatsApp, em quais horários você pode atender e de que forma: para envio de exames, tirar dúvidas simples, agendar consultas e etc. 

Ligações apenas em caso de urgência ou emergência

Para urgência ou emergência, sugira que liguem diretamente para você. Isso evita o assédio de pacientes que demandam mais atenção e que não possuem bom senso. Se for grave, você saberá quando o telefone funcional tocar. Isso permite que você não se responsabilize por uma mensagem que não respondeu, fora do horário comercial, que levou a uma evolução ou agravamento do quadro do paciente sem que você soubesse, pois WhatsApp não pode ser utilizado como atendimento médico completo, mesmo com as flexibilizações durante a Pandemia de Coronavírus. 

Não use o WhatsApp …

Para fornecer diagnósticos, pois necessitam de anamnese. E prescrições, pois dependem do diagnóstico.  

Se você quer entender como pode realizar teleatendimentos de forma segura e ética, sugerimos a leitura deste texto.

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